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Segunda-feira, 3 de agosto de 2026

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O Irlandês e o épico final de Scorsese sobre a máfia

O Irlandês e o épico final de Scorsese sobre a máfia

Uma leitura sobre O Irlandês e o épico final de Scorsese sobre a máfia, seus personagens, escolhas e marcas deixadas no cinema.

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Talvez você tenha ouvido falar de O Irlandês como um filme longo, cheio de nomes conhecidos e ligado a uma fase importante da carreira de Martin Scorsese. Ainda assim, a duração pode causar hesitação, principalmente para quem espera uma narrativa de máfia com ritmo acelerado e reviravoltas constantes.

O Irlandês e o épico final de Scorsese sobre a máfia pede outro tipo de atenção. A história acompanha o tempo, a memória e as consequências de uma vida cercada por relações de poder, sem correr para entregar respostas. Aos poucos, o filme constrói um retrato melancólico de Frank Sheeran, personagem interpretado por Robert De Niro, e de sua proximidade com figuras marcantes da história criminal dos Estados Unidos.

Ao entender essa proposta, a experiência se torna mais tranquila. O filme pode ser visto como uma grande lembrança narrada por alguém que olha para o passado e tenta organizar os acontecimentos que moldaram sua existência.

O Irlandês e o épico final de Scorsese sobre a máfia em uma narrativa de memória

Lançado em 2019, O Irlandês parte do livro I Heard You Paint Houses, escrito por Charles Brandt. A obra apresenta o relato de Frank Sheeran, veterano de guerra e motorista que se aproxima de Russell Bufalino, personagem vivido por Joe Pesci. A partir dessa relação, Frank entra em um ambiente onde favores, confiança e silêncio ocupam grande espaço.

O roteiro acompanha diferentes períodos da vida do protagonista. Em vez de organizar tudo como uma sequência simples de acontecimentos, a narrativa alterna lembranças, viagens e momentos de reflexão. Essa escolha faz com que o passado pareça sempre presente, como se cada episódio ainda tivesse força sobre o homem mais velho que conta a própria história.

A estrutura também explica por que o filme pode parecer mais contemplativo do que outras produções de Scorsese. O interesse não está apenas no que aconteceu, mas na forma como Frank recorda os fatos. A memória surge com lacunas, repetições e mudanças de perspectiva, aproximando o público de um personagem que nem sempre consegue explicar o peso de suas decisões.

Frank Sheeran e a construção de um protagonista silencioso

Robert De Niro interpreta Frank com contenção. O personagem fala pouco sobre o que sente e costuma reagir aos acontecimentos com uma postura prática. Essa aparente calma não significa ausência de conflito. Pelo contrário, o silêncio ajuda a mostrar alguém que passou grande parte da vida evitando encarar aquilo que estava diante dele.

Frank não é apresentado como um herói tradicional. Ele é um observador que se adapta às circunstâncias e compreende rapidamente o funcionamento das relações ao seu redor. Sua habilidade para cumprir tarefas e manter a discrição faz com que seja aceito por homens mais influentes, mas também o distancia da própria família.

A passagem do tempo amplia essa distância. Enquanto Frank se dedica às relações externas, as filhas crescem e passam a enxergar nele uma presença difícil de alcançar. O filme dá atenção a pequenos gestos, olhares e silêncios para mostrar essa separação, sem transformar a família em um simples elemento secundário.

Russell Bufalino e a força da influência

Joe Pesci apresenta Russell Bufalino de maneira diferente de personagens que o ator interpretou em outros filmes do gênero. Russell é educado, sereno e cuidadoso. Sua influência aparece mais na maneira como conduz conversas e aproxima pessoas do que em demonstrações de força.

Essa interpretação é importante porque cria uma relação de confiança gradual com Frank. Russell não precisa explicar tudo. Muitas vezes, uma frase breve ou um convite aparentemente comum é suficiente para indicar que há algo maior acontecendo. A delicadeza do personagem torna sua presença ainda mais marcante.

Jimmy Hoffa e a energia de Al Pacino

Al Pacino interpreta Jimmy Hoffa com uma energia intensa, expansiva e muitas vezes imprevisível. Ao contrário de Russell, Hoffa ocupa os espaços com a voz, os movimentos e a convicção de quem está acostumado a ser ouvido. Sua personalidade cria um contraste forte com o jeito reservado de Frank.

A amizade entre Hoffa e Frank se torna um dos centros emocionais do filme. Frank encontra em Hoffa uma figura que admira, acompanha e protege. Ao mesmo tempo, essa proximidade o coloca entre relações que começam a se afastar, criando uma tensão que cresce sem depender de cenas de ação.

O tempo como personagem dentro do filme

Uma das escolhas mais marcantes de O Irlandês está na maneira como o tempo é tratado. A narrativa atravessa décadas, mostrando mudanças nos personagens, nos espaços e nas relações. O público acompanha o envelhecimento de Frank, mas também percebe como certas atitudes permanecem presas a um período que já terminou.

O trabalho de maquiagem digital ajudou a apresentar os atores em diferentes idades. Mais do que esconder o tempo, o recurso permite que a história mantenha os mesmos intérpretes em várias fases. Ainda assim, o filme não tenta transformar os personagens em jovens cheios de vitalidade. A atuação corporal preserva movimentos mais contidos, o que cria uma sensação particular.

Essa escolha pode parecer estranha no início, porém se conecta ao ponto de vista de Frank. Estamos diante de lembranças reconstruídas por um homem idoso. A aparência mais jovem está ligada ao modo como ele recorda a própria trajetória, e não apenas a uma tentativa de reproduzir cada detalhe físico.

Como a direção de Scorsese se afasta de outros filmes de máfia

Martin Scorsese construiu uma filmografia muito ligada a personagens ambiciosos, grupos fechados e ambientes marcados por disputa. Em O Irlandês, esses elementos continuam presentes, mas recebem outro tratamento. O diretor reduz a sensação de celebração e dá mais espaço para o desgaste provocado pelos anos.

Não há a mesma aceleração de Os Bons Companheiros, nem a organização grandiosa de Cassino. O Irlandês prefere observar os personagens quando a força já não é suficiente para sustentar antigas relações. As festas, os encontros e as viagens carregam uma sombra de despedida, mesmo quando ninguém fala diretamente sobre isso.

A trilha sonora, a fotografia e a montagem trabalham em conjunto para manter essa atmosfera. As canções ajudam a localizar períodos históricos, enquanto os ambientes revelam mudanças sociais e pessoais. A câmera acompanha os personagens com paciência, permitindo que uma conversa simples tenha o mesmo valor de uma cena mais movimentada.

O que observar durante a primeira sessão

Como a narrativa reúne muitos nomes e acontecimentos, pode ser útil assistir sem tentar memorizar cada pessoa logo nos primeiros minutos. O mais importante é compreender as relações centrais e perceber como Frank circula entre elas. Com esse ponto de partida, o restante se organiza aos poucos.

  • Frank e Russell: observe como a confiança entre os dois se forma e como ela influencia as decisões do protagonista.
  • Frank e Hoffa: acompanhe o contraste entre a lealdade pessoal e as pressões que surgem ao redor da amizade.
  • A família: repare nos silêncios das filhas e na dificuldade de Frank em explicar a própria vida.
  • O envelhecimento: perceba como os espaços ficam mais vazios e como os personagens passam a depender das lembranças.

Também vale aceitar o ritmo proposto. O filme tem mais de três horas e meia, por isso você pode dividi-lo em duas sessões caso prefira. Uma pausa não prejudica a compreensão, desde que você retome a história com atenção aos vínculos entre os personagens.

Uma experiência para assistir com calma

O Irlandês foi lançado pela Netflix e também chegou a algumas salas de cinema, permitindo formas diferentes de contato com a obra. Para quem gosta de organizar uma noite de filmes, serviços de entretenimento podem fazer parte desse momento, como uma IPTV com teste de 6 horas, desde que o espectador escolha uma opção adequada à sua rotina.

O ambiente também influencia a sessão. Uma tela maior ajuda a perceber os detalhes da fotografia, enquanto um som equilibrado valoriza as conversas e a trilha musical. Mesmo assim, o filme não depende de equipamentos especiais para funcionar. A força principal está nos personagens e no modo cuidadoso como a história se desenvolve.

Se você deseja conhecer outras leituras sobre cinema antes ou depois da sessão, pode consultar este guia de filmes e ampliar o contexto. Comparar estilos e períodos ajuda a perceber como cada obra escolhe representar o tempo, a amizade e o poder.

Por que o filme ocupa um lugar importante na carreira de Scorsese

O Irlandês reúne alguns dos atores mais reconhecidos do cinema norte-americano e aproxima gerações diferentes de intérpretes. Robert De Niro, Joe Pesci e Al Pacino dividem cenas com estilos próprios, mas encontram equilíbrio dentro de uma narrativa que exige paciência e precisão.

A obra também funciona como uma reflexão sobre o próprio gênero de máfia. Scorsese retoma temas que aparecem em seus filmes anteriores, porém observa seus personagens em um estágio mais avançado da vida. A juventude, a ascensão e a disputa ficam no passado, enquanto o presente é ocupado por lembranças e perdas de contato.

Por isso, o filme pode ser visto tanto por quem acompanha a carreira do diretor quanto por quem está conhecendo esse tipo de cinema agora. Não é necessário ter assistido a todas as obras anteriores. Basta acompanhar as relações e permitir que o ritmo se estabeleça.

O que permanece depois dos créditos

Quando os créditos começam, a sensação pode ser menos de encerramento tradicional e mais de permanência. Algumas questões não são respondidas com discursos longos. Elas aparecem na solidão de Frank, nos quartos onde ele passa seus dias e nas conversas que já não podem ser retomadas.

A conclusão não depende de uma grande explicação. O filme deixa que os gestos finais completem o retrato de um homem que passou a vida cercado por pessoas, mas terminou distante de quase todas. Essa escolha torna o desfecho silencioso e coerente com a trajetória apresentada.

Ao resumir seus principais pontos, vale destacar a estrutura baseada em memória, as atuações de De Niro, Pesci e Pacino, o uso cuidadoso do tempo e a direção paciente de Scorsese. O Irlandês e o épico final de Scorsese sobre a máfia pode ser acompanhado sem pressa, em uma sessão única ou dividida em partes. Comece hoje, escolha um horário tranquilo e deixe que a história conduza você passo a passo.

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